Frederico Haikal/Hoje em Dia
Caixa eleva taxa de juros para crédito imobiliário e aumenta entrada
CENÁRIO – A construção civil já sofre com o encalhe de imóveis novos



Dona de 70% da carteira de crédito habitacional do país, a Caixa Econômica Federal elevou as taxas de juros para financiamento imobiliário pela segunda vez neste ano. O aumento de 0,3% está em vigor desde o último dia 13 e vale para contratos com recursos da poupança (SBPE) no âmbito do Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

Além de dificultar a realização do sonho da casa própria, o encarecimento do empréstimo afeta o mercado de compra e venda de imóveis, avaliam especialistas do setor.

Com a alteração, a taxa balcão, para clientes sem relacionamento com a Caixa, subiu de 9,15% para 9,45% ao ano. Para quem tem relacionamento com a instituição e recebe salário pelo banco, a taxa sai de 8,70% para 9%.

O limite da fatia do imóvel que pode ser financiada também mudou.
Limite financiável


O cliente que financiava na tabela SAC, em que as parcelas são maiores no começo, podia financiar até 90% do imóvel. Agora, o teto é 80%. Para consumidores que usam a Tabela Price, que mantém o valor das parcelas, o percentual financiável do apartamento ou da casa despenca de 90% para 50%.

“Cada ponto de juro que aumenta eleva e muito a prestação. E fica mais difícil fazer a parcela caber na renda, já que não é permitido comprometer mais de 30% do salário com a dívida. É ruim para o consumidor e para o mercado como um todo”, diz o vice-presidente da Área Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Lucas Guerra. O setor já sofre com o encalhe de imóveis novos.
Na ponta do lápis


O diretor de estudos econômicos da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, faz as contas usando como exemplo um financiamento de R$ 500 mil pela Tabela Price. Considerando-se um cliente com relacionamento (mais salário) com a Caixa, antes ele pagaria 360 parcelas mensais de R$ 3.809,19, totalizando um valor de R$ 1.371.308,40. Hoje, o mesmo consumidor vai pagar mensalidades de R$ 3.894,29, num total de R$ 1.401.944,40. “A pessoa terá uma elevação de 2,23% correspondente a um aumento de R$ 85,10 na prestação e de R$ 30.636 no total do financiamento”, calcula.

A escalada nos custos também é mal vista pela vice-presidente da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), Cássia Ximenes.

“Como quase todos os setores, o mercado imobiliário está sentindo os efeitos da economia fraca. Por isso, é claro que não vemos o aumento dos juros com bons olhos. Mas o cliente precisa saber que há outras portas e deve pesquisar as taxas em bancos particulares”, recomenda.



Reprogramação

Para o presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Minas Gerais (AMMG), Sílvio Saldanha, a mudança vai atingir em cheio quem já havia planejado os custos, mas ainda não tinha assinado contrato.

“Esse consumidor vai ter que se reprogramar. Pode ser que com o aumento dos juros a renda não comporte mais o valor da prestação”, adverte.

Em nota, a Caixa informou que o ajuste foi realizado por causa do aumento da taxa básica de juros. A taxa Selic está atualmente em 12,75% ao ano. O banco afirmou ainda que as taxas de juros dos financiamentos habitacionais contratados com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida e do FGTS não sofreram correção.

Um cliente sem relacionamento com a Caixa terá que pagar 3,28% a mais na prestação e no financiamento.